Julian
Casablancas, filho de um dos fundadores da Elite Models, uma das maiores
agências de modelos do planeta, tinha tudo pra não ser
mais que playboy.
Cresceu ao lado do amigo de escola Nikolai Fraiture. Ambos, entre
passagens por outros colégios se tornaram amigos de Nick
Valensi, Albert Hammond JR e Fabrício Moretti, o brasileiro
naturalizado norte-americano. E os cinco elementos formaram banda.
Coisa de garotos despretensiosos que queriam chamar a
atenção de garotas demasiado
pretensiosas.
Os
temas das letras: amores colegiais, baladinhas da galera, carros,
bebidas, sexo... Até aí nada de mais. O fato é
que, a cada nova composição, algo de mágico ia
se constituindo. A voz de Casablancas agradava, meio em falsete,
preguiçosa, por vezes, desesperada. Os sons da banda –
ah! os sons da banda!... –, tinha-se a impressão de
que saíam das entranhas dos rapazes. E
saíam.
Os
Strokes ressuscitaram o rock’n’roll frenético
dos anos 50. Aquele rock desleixado, desengajado, solto. Nada de
samplear, mixar ou ordenar o álbum eletronicamente. Todos os
instrumentos tocando ao mesmo tempo. Baixo, guitarra, bateria e
voz. Nada mais. Daí chamaram-nos de indie, cool, new sei lá o
que...
Todos
os méritos a estes garotos maravilhosos que não
fizeram mais que relembrar a novatos e veteranos que o velho e bom
rock’n’roll nascera fácil e sem
frescura.
Is This It,
o primeiro de
seus três álbuns, é sem dúvida o melhor.
Impossível pular alguma das fugazes 11 faixas. O segundo,
Room on Fire,
é extensão do primeiro – mais 11 faixas
excelentes. Esqueçamos First Impressions Of Earth que,
além de quatro ou cinco faixas razoáveis, não
faz a mínima sombra aos outros
dois.
Fábio
Mello
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