Interpol  escrito em domingo 01 junho 2008 00:15

Formado por Paul Banks (vocal e guitarra), Carlos Dengler (baixo e teclado), Sam Fogarino (bateria), e Daniel Kessler (guitarra e background vocais), o Interpol é, indubitavelmente, a banda mais sublime desses tempos de raquitismo cultural.

Seu primeiro álbum, Turn on the Bright Lights (2002), faz jus à mais transcendente das vertentes do rock, a alternativa.

É lugar-comum compará-los, sonora e vocalmente, ao Joy Division. Mas, atentem, no extracampo das comparações o Interpol excele em sentimentalismo e reflexão, posto suas letras tratarem de temas espiritualizantes, quando não metafísicos.  Eu, particularmente, tenho toda a discografia de ambos; conheço cada um de seus passos; aprecio-os com serenidade e devoção. Contudo, situo o Interpol alguns decibéis adiante.

 

Fábio Mello

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Veia Poética  escrito em terça 15 abril 2008 04:16

Sinto uma cousa anterior ao desespero. Uma cousa que não um presságio; distante de ser prognóstico. Não chega a me incomodar ou entristecer; tampouco me põe melancólico. Em verdade, esta cousa é tão-somente a veia pulsante deste braço que escreve. Uma veia deveras desesperada.

 

Fábio Mello

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Tratado de Paz  escrito em terça 15 abril 2008 00:11

Só há um órgão capaz de unir política e socialmente as nações do mundo: meu fígado! Exemplo disso é que ontem, na virada do ano, bebi tequila, steingheger, vinho do Porto, saquê, cuba libre, caipirinha e outras tantas “bagacinhas”, as quais ocasionaram a fusão de múltiplas etnias.

 

Fábio Mello

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The Strokes  escrito em sexta 21 março 2008 04:43

Julian Casablancas, filho de um dos fundadores da Elite Models, uma das maiores agências de modelos do planeta, tinha tudo pra não ser mais que playboy. Cresceu ao lado do amigo de escola Nikolai Fraiture. Ambos, entre passagens por outros colégios se tornaram amigos de Nick Valensi, Albert Hammond JR e Fabrício Moretti, o brasileiro naturalizado norte-americano. E os cinco elementos formaram banda. Coisa de garotos despretensiosos que queriam chamar a atenção de garotas demasiado pretensiosas.

Os temas das letras: amores colegiais, baladinhas da galera, carros, bebidas, sexo... Até aí nada de mais. O fato é que, a cada nova composição, algo de mágico ia se constituindo. A voz de Casablancas agradava, meio em falsete, preguiçosa, por vezes, desesperada. Os sons da banda – ah! os sons da banda!... –, tinha-se a impressão de que saíam das entranhas dos rapazes. E saíam.

 

Os Strokes ressuscitaram o rock’n’roll frenético dos anos 50. Aquele rock desleixado, desengajado, solto. Nada de samplear, mixar ou ordenar o álbum eletronicamente. Todos os instrumentos tocando ao mesmo tempo. Baixo, guitarra, bateria e voz. Nada mais. Daí chamaram-nos de indie, cool, new sei lá o que...

Todos os méritos a estes garotos maravilhosos que não fizeram mais que relembrar a novatos e veteranos que o velho e bom rock’n’roll nascera fácil e sem frescura.

Is This It, o primeiro de seus três álbuns, é sem dúvida o melhor. Impossível pular alguma das fugazes 11 faixas. O segundo, Room on Fire, é extensão do primeiro – mais 11 faixas excelentes. Esqueçamos First Impressions Of Earth que, além de quatro ou cinco faixas razoáveis, não faz a mínima sombra aos outros dois. 

 

Fábio Mello   

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Franz Liszt  escrito em quinta 20 março 2008 04:05

Iniciei-me na música clássica muito tardiamente. Agora mesmo, aos 31. Nesses últimos seis meses não fiz mais que me dedicar à audição de alguns dos maiores virtuoses do gênero. Mozart, Beethoven, Chopin, Strauss, Brahms e alguns outros que não mencionarei por pretender abordá-los em outros artigos.

Para que se aclareie a mente do leitor, começo por dizer que a música clássica puramente instrumental, embora oriunda do século XVII, desdobra-se com maiores contornos somente no XIX, quando surgem seus mais insignes compositores. O Romantismo, também à música, foi fecundíssimo. Os salões parisienses fervilhavam de poetas, pintores e músicos que viviam a trocar impressões acerca do bom-gosto, da arte, da política, da filosofia etc.

É no núcleo da cena romântica que se desenvolve o excêntrico e complexo Franz Liszt (1811-1886). Para se ter rasa idéia do alto grau de dificuldade proposto em suas partituras, apenas os mais lépidos pianistas são capazes de interpretá-las.

Liszt, em púbere, com propensão ao espiritual fora ordenado abade (o estrato clerical mais inferior da Igreja Católica). Mas, devido à compleição esbelta, olhos verdes, cabelos lisos e compridos, chamou tanto a atenção dos anjos quanto das mulheres. Resultado: verifica-se em suas composições ora a leveza de um hino litúrgico, ora o peso de um crivo profano.

Sua originalidade levou-o à criação do “poema tonal”: supra-sumo do gênero romântico. Liszt lia um poema, sentia-o e transportava ao piano tais sensações. Daí as Valsas Mefisto e a Sinfonia Fausto (narrativas instrumentais do Fausto, de Goethe). Em tais peças Liszt demonstra um lirismo que se desespera; um tormento que se transcendentaliza. Derivados que são de sua natureza multifacetada.

Não há como não se inspirar quando acometidos que somos pela magistral arquitetura sonora de Liszt.  

 

Fábio Mello

 

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