Hino Colonial Brasileiro  escrito em sábado 05 julho 2008 00:05

Ouviram, do Ipiranga, frases drásticas

De um povo arcaico, o brado dissonante...

E o sol da liberdade, em raios fugidios,

Apagou no céu da Pátria, contrastante...

 

Se o descobridor (esse covarde!)

Conseguiu nos derrotar com braço forte,

Em teu seio – ó Liberdade! –

A ideologia do sujeito não dá sorte.

 

Ó Pátria atada!...

Colonizada!...

Salvem!! Salvem!!

 

Brasil: um sonho imenso; um balaio nítido.

Teu valor tá na balança que só desce.

Se em teu curioso céu – enfadonho e pútrido! –

A imagem de um banqueiro resplandece...

 

Farsante pela própria natureza,

És cego! és torto! a varo e corrupto!

O teu escuro encobre a tua grandeza...

 

Terra afanada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria atada!

 

Dos filhos deste solo és mãe sem brio,

Pátria atada,

Brasil!

 

II   

II

Roubado eternamente em berço esplêndido

(ao tom de um dólar que reluz tão iracundo),

Amarguras, ó Brasil – porão da América! –,

Confinado ao “Sal do Novo Mundo”.

 

Do que a terra mais corrompida,

Teus tristonhos, findos campos têm rancores.

Nossos bosques têm feridas;

Nossas feridas, bem ao meio, dissabores...

 

Ó Pátria atada!...

Colonizada!...

Salvem!! Salvem!!

 

Brasil, o invasor externo te fez símbolo

No lábaro dos povos alienados.

Que não diga o verde-louro desta flâmula:

“Jaz, no futuro, a memória do passado...”.

 

Mas, se ergues de injustiça a clava forte,

Verás que um filho teu foge da luta;

Teme e implora à própria morte...

 

Terra afanada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria atada!

 

Dos filhos deste solo és mãe sem brio,

Pátria atada,

Brasil!

 

Fábio Mello, um dia escuro de um tempo estranho

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O Processo - Uma Leitura Corporal  escrito em terça 01 julho 2008 02:59

Eis que fomos os dous – eu e meu amigo e irmão quimerista Vinícius Gonçalves de Andrade – assistir à leitura corporal de O Processo, de Franz Kafka, no Centro Cultural Paulista, à estação Vergueiro do Metrô.

Sete personagens em cena: um sentinela (remetendo ao Castelo), cinco acusados e Ela, a justiça, a lei, a pena, a própria culpa, a atriz, dançarina e coreógrafa Vanessa Macedo. A ela nossos mais acústicos aplausos, pois que transita pelos cinco corpos dos acusados durante 60 minutos de peça, isto sem tocar no chão uma única vez.

Vanessa vai a andar por ombros, cabeças, pernas, braços, pés, troncos e mãos; oprimindo, açoitando, obsidiando seus réus indefensos.

      Tamanho o preparo dos atores-dançarinos da Cia Borelli nesta transposição muito bem acertada por Sandro Borelli, diretor e criador da peça. Oportunidade de enxergarmos o interior de uma atmosfera onde a presença ou a falta de palavras implicam, igualmente, em incomunicabilidade. Saúde a Kafka, a companhia, a literatura!

 

Fábio Mello

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Johnny Cuca Fresca e Ritinha Cabeça de Vento  escrito em domingo 29 junho 2008 05:21

Johnny Cuca Fresca era bebedor de cerveja, comedor de torresmo, aficionado por surf music, um porra-louca. Pegou a furadeira e fez oito furos no bojo da caixa craniana! Tinha uma puta vontade de comer a irmã do Erasmo: aquela ninfetinha despojada e deliciosa, viciada em sexo e heroína. Chamava-se Ritinha. Nem sonhava com a existência de Johnny – até que num lual, à orla da Praia Grande, toparam-se os dous tragando no mesmo coco. A princípio, em canudos diferentes. Daí para o primeiro contacto retilíneo foi simples questão de reciprocidade salivar.

Pouco tempo depois e a moça aparecia com oito furos no tampo da cabeça. Recebera o epíteto de “Cabeça de Vento”, Ritinha Cabeça de Vento.

 

Fábio Mello

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Nathália  escrito em domingo 29 junho 2008 05:21

Nathália, se puta, é bacana – menina sacana pensando em gozar. Péricles é seu cliente, sujeito decente: não sabe explorar. Matias a come com os olhos, lá no escritório dos dois trabalhar. Não sabe que ela é da vida, garota atrevida pensando em gozar. Cabral com ela namora; conta as horas pra lhe chupar. Ataulfo é seu marido, confia no ouvido e não sabe fitar. Gisele até morre por ela – se sente cadela quando vão trepar.

Nathália ensaia temporada no monastério. Anda falando sério: vai se reformar. Deus sabe que mente, mas, por vê-la temente, a vai salvar. 

 

Fábio Mello

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Dulce e Carmelo  escrito em domingo 29 junho 2008 05:21

Carmelo não esperava de Dulce tanto amor. Ela, dulçíflua no namoro, chantili no casamento. Carmelo, cumulado de açúcares, retribuía a amada caramelizando-a. Erraram os dous ao abrir confeitaria. Sua sorte não poderia ser menos salgada. Também pudera. Onde já se viu sentimento encher barriga?! Sentimento é bicho estufado no peito.

     Dulce e Carmelo, prosseguindo com tamanha melação, certo é que em sonhos se transformarão.

Fábio Mello

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