Ouviram, do Ipiranga, frases drásticas
De um povo arcaico, o brado dissonante...
E o sol da liberdade, em raios fugidios,
Apagou no céu da Pátria, contrastante...
Se o descobridor (esse covarde!)
Conseguiu nos derrotar com braço forte,
Em teu seio – ó Liberdade! –
A ideologia do sujeito não dá sorte.
Ó Pátria atada!...
Colonizada!...
Salvem!! Salvem!!
Brasil: um sonho imenso; um balaio nítido.
Teu valor tá na balança que só desce.
Se em teu curioso céu – enfadonho e pútrido! –
A imagem de um banqueiro resplandece...
Farsante pela própria natureza,
És cego! és torto! a varo e corrupto!
O teu escuro encobre a tua grandeza...
Terra afanada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria atada!
Dos filhos deste solo és mãe sem brio,
Pátria atada,
Brasil!
II
II
Roubado eternamente em berço esplêndido
(ao tom de um dólar que reluz tão iracundo),
Amarguras, ó Brasil – porão da América! –,
Confinado ao “Sal do Novo Mundo”.
Do que a terra mais corrompida,
Teus tristonhos, findos campos têm rancores.
Nossos bosques têm feridas;
Nossas feridas, bem ao meio, dissabores...
Ó Pátria atada!...
Colonizada!...
Salvem!! Salvem!!
Brasil, o invasor externo te fez símbolo
No lábaro dos povos alienados.
Que não diga o verde-louro desta flâmula:
“Jaz, no futuro, a memória do passado...”.
Mas, se ergues de injustiça a clava forte,
Verás que um filho teu foge da luta;
Teme e implora à própria morte...
Terra afanada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria atada!
Dos filhos deste solo és mãe sem brio,
Pátria atada,
Brasil!
Fábio Mello, um dia escuro de um tempo estranho




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