“As fadinhas da minha rua sonham com varas encantadas, as quais, rijas diuturnamente, realizem suas fantasias mais profundamente clitóricas.”
Fábio Mello
Meu estimado amigo Ferreira Gullar, constatada a imutabilidade das pedras, concordemos que nossa tão essencial poesia – a minha muito mais que a tua –, concordemos que a poesia não carece de monumentos, bustos eretos ou penas broxadas (como a tua se me afigura). De pedra já basta Drummond, o bom velhinho da “porcarítica" literária nacional.
Prestimoso Ferreira, faça-nos o favor, a nós, poetas, de ser menos persistente – tua pétrea obstinação de vida cansa, aborrece, enfarada aos que te querem presunto, como eu. Ferreira... mate-se o quanto antes!!!
Fábio Mello, 02 de novembro de 2008,
Dia dos Mortos (nem todos merecem ser lembrados).
A Quimeritude, ao contrário do que se pense, não é uma literatura marginal ou alternativa – como é de costume se ouvir da “crítica especializada”. Sua condição é a de núcleo, epicentro de um organismo genuína e desesperadamente poético. Erra, ainda, quem a aponte como movimento underground ou vanguarda literária. Pois é justo que saibam: a Quimeritude é o estado primevo da poesia, seu gene e dissolução. O quimerista é aquele cuja mente, hipertrofiada, se lança solta em sombrios cosmopolitismos cabais. A razão quimerista está envergada à construção do impossível. Que tenha ferro no cérebro e chumbo n’alma o que dela se servir.
Fábio Mello
Néctar algum em meu cálice de pedra
E ainda a sede de Saavedra
Em meu âmago se engendra...
Jardim nenhum à penumbra de minha réstia
Nada me basta ou completa
Dentro do escasso que resta...
E ainda o pensamento pulsando na testa...
E ainda o delírio dos positivistas
Rangendo em meus tímpanos,
Embaçando-me as vistas...
Talvez eu morra e permaneça no ar...
Talvez eu sopre melhor em espírito
Já que, por toda a vida, fui sempre onírico...
Fábio Mello
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