Mário e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Murilo Mendes, Quintana, Vinícius, Drummond. Estes e tantos outros poetas tupiniquins, patronos e oriundos do modernismo - sejamos justos –, trouxeram a poesia ao comum do leitor, ao leitor não-poeta. E só. O mais que fizeram foi edificar a superfluidade infecunda que agora experimentamos não apenas em poesia, mas em toda a literatura brasileira.
Verves como a de Álvares de Azevedo, Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos – e um ou outro poeta que me escape da lembrança –, verves como estas nunca mais se deu em canto ou momento algum, o que torna o modernismo e sua seqüência, no mínimo, desinteressantes. Gatos pingados como João Cabral, Wally Salomão, Paulo Leminski e Arnaldo Antunes são raríssimas exceções.
Os modernistas da primeira fase atuam muito mais à formação da sociologia brasileira que à consolidação de uma literatura exclusivamente nacional, como supunham. Com a chegada de Drummond, Vinícius, Bandeira e cia, temos uma poesia marcadamente acadêmica, voltada ao exame de uma crítica que, por sua vez, necessita especializar-se. Poesia em que os valores gramaticais dão conta de suprir a falta de imaginação.
Em 55 surge uma turma de poetas-geômetras fundindo poesia à arte plástica, o que em hipótese é maravilhoso, mas só dá bons frutos posteriormente, com Paulo Leminski e Arnaldo Antunes – exceções, conforme o já citado. – Pignatari e os irmãos campos foram excelentes teóricos, péssimos criadores; sintéticos não por opção, mas por alternativa, dada a extensão de suas idéias, mínima.
Final dos anos 50, chegamos à geração bossa-novista, cujo advento, muito embora musical, não pode ser visto desatrelado da poesia, já que se desenvolve no seio da mesma. Perdoem-me os aficionados, mas a bossa-nova, no quesito “letra” = poesia, é um fracasso. Que fique clara a crítica. Não questiono os valores puramente musicais, que também não me agradam.
Anos 60 e 70: Tropicalismo, Poesia Marginal, Geração Mimeógrafo, Poesia Práxis etc. Meto-me a ler de tudo. Rio, ante o nada surrealístico de Piva. Quase me afogo em Willer, nunca poeta. Marçal Aquino?! Quem é esse?, pergunta o leitor. “UM IDIOTA”, respondo-lhe. Tão frouxo quanto Torquato, o aquoso. Carlos Nejar, Carpinejar, Capinam? Meras ferramentas da carpintaria do inútil!
Pro inferno toda a Academia Brasileira de Letras, seus marcos maciéis, seus coelhos pulguentos e cachorros sarnentos de sarnei. A vocês, bacharéis de minha língua, a sugestão: “Morrendo Ferreira Gullar, embalsamem-no. Empreguem-no como sentinela às portas de sua câmara-sepulcro. Nomeiem-no presidente permanente de vossa casa – cambada de malditos pasticheiros!”.
Os quimeristas estão chegando, e banirão vosso nome da história.
Fábio Mello, 13 de novembro de 2008.
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