Home Data de criação : 07/12/10 Última atualização : 08/11/14 01:12 / 70 Artigos publicados

Blitz  (Textos) escrito em sexta 14 novembro 2008 01:12

O guarda indicou para que encostasse. Pediu os documentos. Habilitação: não tinha. Licenciamento do carro: vencido há 47 anos. Tal foi a surpresa do guarda quando constatou que aquele homem, aquele senhor septuagenário, fora o primeiro comprador do veículo; seu único e legítimo dono. Então olhou pro velho e falou: Em todos esses anos, quantas vezes o pararam?”. “Esta, a primeira”, disse o homem numa expressão acentuada, o homem cujas rugas pareciam ocultar, em aramaico, o segredo de se ter um semblante como aquele: ríspido ao mesmo que lírico, sofisticado em sua sisudez. Então o guarda o fitou e disse: “Pode ir embora: o destino lhe pertence. 

 

Fábio Mello 

 

 

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Narciso é uma ameba  (Poemas) escrito em sexta 14 novembro 2008 00:51

Narciso não sacou que a Deusa Eco

Era o reflexo de seu coração

E por isso, há milhares de anos,

Permanece congelado à própria face

Estanque como o que não pode ser

Narciso permanece tão em si

Quanto uma ostra, um crustáceo

Uma acelga, uma ameba...

Narciso é uma ameba...

 

 

Fábio Mello

                                              

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A Poesia Brasileira no Século XX - uma reconstituição  (Textos) escrito em sexta 14 novembro 2008 00:37

Mário e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Murilo Mendes, Quintana, Vinícius, Drummond. Estes e tantos outros poetas tupiniquins, patronos e oriundos do modernismo - sejamos justos –, trouxeram a poesia ao comum do leitor, ao leitor não-poeta. E . O mais que fizeram foi edificar a superfluidade infecunda que agora experimentamos não apenas em poesia, mas em toda a literatura brasileira.

Verves como a de Álvares de Azevedo, Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos – e um ou outro poeta que me escape da lembrança –, verves como estas nunca mais se deu em canto ou momento algum, o que torna o modernismo e sua seqüência, no mínimo, desinteressantes. Gatos pingados como João Cabral, Wally Salomão, Paulo Leminski e Arnaldo Antunes são raríssimas exceções.

Os modernistas da primeira fase atuam muito mais à formação da sociologia brasileira que à consolidação de uma literatura exclusivamente nacional, como supunham. Com a chegada de Drummond, Vinícius, Bandeira e cia, temos uma poesia marcadamente acadêmica, voltada ao exame de uma crítica que, por sua vez, necessita especializar-se. Poesia em que os valores gramaticais dão conta de suprir a falta de imaginação.

Em 55 surge uma turma de poetas-geômetras fundindo poesia à arte plástica, o que em hipótese é maravilhoso, mas bons frutos posteriormente, com Paulo Leminski e Arnaldo Antunes – exceções, conforme o citado. – Pignatari e os irmãos campos foram excelentes teóricos, péssimos criadores; sintéticos não por opção, mas por alternativa, dada a extensão de suas idéias, mínima.

  Final dos anos 50, chegamos à geração bossa-novista, cujo advento, muito embora musical, não pode ser visto desatrelado da poesia, que se desenvolve no seio da mesma. Perdoem-me os aficionados, mas a bossa-nova, no quesito letra” = poesia, é um fracasso. Que fique clara a crítica. Não questiono os valores puramente musicais, que também não me agradam.

Anos 60 e 70: Tropicalismo, Poesia Marginal, Geração Mimeógrafo, Poesia Práxis etc. Meto-me a ler de tudo. Rio, ante o nada surrealístico de Piva. Quase me afogo em Willer, nunca poeta. Marçal Aquino?! Quem é esse?, pergunta o leitor. “UM IDIOTA”, respondo-lhe. Tão frouxo quanto Torquato, o aquoso. Carlos Nejar, Carpinejar, Capinam? Meras ferramentas da carpintaria do inútil!

Pro inferno toda a Academia Brasileira de Letras, seus marcos maciéis, seus coelhos pulguentos e cachorros sarnentos de sarnei. A vocês, bacharéis de minha língua, a sugestão: “Morrendo Ferreira Gullar, embalsamem-no. Empreguem-no como sentinela às portas de sua câmara-sepulcro. Nomeiem-no presidente permanente de vossa casa cambada de malditos pasticheiros!”.

 

 

 Os quimeristas estão chegando, e banirão vosso nome da história.

 

Fábio Mello, 13 de novembro de 2008.

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...  (Textos) escrito em segunda 03 novembro 2008 23:34

“As fadinhas da minha rua sonham com varas encantadas, as quais, rijas diuturnamente, realizem suas fantasias mais profundamente clitóricas.”

Fábio Mello

 

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Meu Amigo Ferreira Gullar  (Textos) escrito em sábado 01 novembro 2008 22:10

Meu estimado amigo Ferreira Gullar, constatada a imutabilidade das pedras, concordemos que nossa tão essencial poesia – a minha muito mais que a tua –, concordemos que a poesia não carece de monumentos, bustos eretos ou penas broxadas (como a tua se me afigura). De pedra basta Drummond, o bom velhinho da “porcarítica"  literária nacional.

Prestimoso Ferreira, faça-nos o favor, a nós, poetas, de ser menos persistente – tua pétrea obstinação de vida cansa, aborrece, enfarada aos que te querem presunto, como eu. Ferreira... mate-se o quanto antes!!!

 

 

Fábio Mello, 02 de novembro de 2008,

Dia dos Mortos (nem todos merecem ser lembrados).

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